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“Toca”
faz uma analogia entre Corpo e Casa. Espaços habitados e preenchidos por
memórias e imagens. Em ambos lugares (corpo e casa) podemos nos refugiar,
nos proteger ou nos entocar, saindo de uma realidade e imergindo em
outra(s), mais íntimas.
Em Toca investiga-se a transformação de imagens relembradas em movimento
dançado, e busca inspiração em recordações e sensações que compõem a
infância da intérprete-criadora, gerando em seu corpo estados diversos,
tecendo uma relação poética entre a concretude inerente ao corpo e a
subjetividade do imaginário e da memória. Durante o processo criativo de
Toca, tem-se estudado o texto “A Casa. Do porão ao Sótão. O sentido da
Cabana”, extraído do livro “A Poética do Espaço” do filósofo Gaston
Bachelard, que se tornou uma referência para a criação coreográfica.
Também participa do processo criativo a pesquisa de linguagem “dança-haicai”,
investigando os estados da poética haikai: concisão, sinceridade,
instantaneidade, simplicidade, contradição, ruptura, sua transposição para
o corpo e sua transformação em estrutura coreográfica.
A formação em dança contemporânea baseada na educação somática
(coordenação motora M.M. Béziers, respiração pela sola dos pés e
pensamento Nova Dança) foi essencial no desenvolvimento da
corporalidade e na estética do trabalho. A consciência corporal amplia a
percepção promovendo a conexão de mente e corpo. Isso nos permite fazer
uma síntese associativa entre o estudo da coordenação motora e o potencial
poético, valorizando as singularidades e a multiplicidade que caracterizam
a estética contemporânea.
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foto: Gil Grossi |
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